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PALESTRAS

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O Xintoísmo


É a religião mais antiga do Japão, sua origem é obscura e datada de, pelo menos, metade do primeiro milênio antes de Cristo. Até aproximadamente o século VI D.C., período este em que os japoneses tiveram uma influência mais rápida da civilização continental, existia uma grande mistura de devoções à natureza, incluindo cultos de fertilidade, técnicas de divindade, devoção a heróis e o Xamantismo. Ao contrário do Budismo, Cristianismo ou Islamismo, o Xintoísmo não teve fundadores e não desenvolveu escrituras sagradas, filosofias religiosas explícitas ou um código moral específico. Na verdade, os antigos japoneses encaravam a religião com tanta naturalidade que não tinham sequer um termo para defini-la. A palavra Xinto ou "O caminho do kami (deuses ou espíritos)", veio a ser usada apenas após o século VI, quando os japoneses procuraram distinguir sua própria tradição das religiões estrangeiras que foram encontrando pela frente, como o Budismo e o Confucionismo. Assim, em sua origem, o Xintoísmo era a religião das pessoas ainda não contaminadas pelo ocidente e que, acima de tudo, eram sensíveis às forças espirituais espalhadas pela natureza em que viviam. Como mostra uma crônica antiga: no mundo destas pessoas, inúmeros espíritos brilhavam como vaga-lumes e todas as árvores e arbustos eram capazes de falar.
Extraordinariamente, nem a característica relativamente primitiva e original nem a introdução de religiões mais sofisticadas como o Budismo e Confucionismo fizeram com que o Xintoísmo tivesse menos importância. Em parte, sua existência duradoura pode ser explicada, apontando algumas mudanças que ocorreram após o século XI, as quais o transformaram gradualmente em uma religião de santuários, grandes e pequenos, com festivais e rituais praticados por uma distinta classe sacerdotal. No entanto, estas mudanças tiveram pouca influência nos valores e atitudes básicos do Xintoísmo. O que foi realmente crucial para sua sobrevivência foi às profundas raízes no dia-a-dia da vida do povo japonês e também sua forte e conservadora relação com a cultura japonesa.
A visão do mundo para o Xintoísta é fundamentalmente brilhante e otimista, e assim, nada mais apropriado que ter como sua principal divindade, uma deusa do sol. Uma vez, que era conhecido o aspecto mais negativo da existência humana, a razão de ser de um xintoísta é a celebração e o enriquecimento da vida.
É possível aprender muito sobre a visão xintoísta do mundo através da mitologia japonesa. Dois trabalhos datados do século VIII, o Kojiki (Registro de Assuntos Antigos) e o Nihon shoki (Crônicas do Japão), contam a história da criação das ilhas japonesas por um casal divino, Izanagi e sua companheira Izanami. Eles contam também o nascimento de diversos deuses e deusas, como a Deusa do Sol, Amaterasu, chefe de todos os deuses, bem como sua linha de descendentes que governavam as ilhas. Dois aspectos da mitologia são particularmente relevantes. O primeiro é sua orientação para os diversos mundos, os quais são mencionados na mitologia, como por exemplo, a Grande Planície do Céu, ou a Terra Escura, uma terra impura dos mortos. No entanto, recebemos apenas explicações superficiais sobre eles. Abençoados com um clima ameno, mares férteis e paisagens impressionantes com montanhas, os japoneses antigos parecem ter sentido uma pequena compulsão por olhar além da presente existência.
O segundo aspecto importante da mitologia é a forte relação entre os deuses, o mundo que eles criaram e os seres humanos. As tensões entre o Criador e suas criaturas, e entre o humano e o terreno, presentes nas religiões ocidentais, são visivelmente inexistentes. Na visão xintoísta, o estado natural do cosmos é uma harmonia na qual os elementos divinos, naturais e humanos estão intimamente relacionados. Além disso, a natureza humana é vista como inerentemente boa e o mal é visto como resultado do contato dos indivíduos com forças ou agentes externos que poluem nossa natureza pura e faz com que hajamos de forma contrária a esta harmonia primordial.
As divindades do Xintoísmo são chamadas de kami. O termo é freqüentemente traduzido como "deus" ou "deuses", mas representa um conceito de divindade bastante diferente daquele apresentado pelas religiões ocidentais. Particularmente, as divindades xintoístas não possuem características de absoluta transcendência e onipotência comumente associadas com o conceito de Deus no Ocidente. O kami, de uma forma mais abrangente, é visto como algo que seja extraordinário e que inspire admiração ou reverência. Conseqüentemente, existe uma grande variedade de kami no Xintoísmo: existem os kami relacionados a objetos e criaturas da natureza, tais como o espírito das montanhas, dos mares, dos rios, das rochas, das árvores, dos animais e assim por diante; existem kami guardiões de locais e clãs em particular; existem também seres humanos excepcionais que são considerados kami, incluindo a longa linhagem de imperadores japoneses, exceto o último. Finalmente, o abstrato, forças criativas são reconhecidas como kami. Espíritos do mal também são conhecidos no Xintoísmo, mas apenas alguns são considerados irrecuperáveis. Enquanto um deus pode chamar atenção primeiramente para sua presença através de uma amostra de comportamento atormentado ou até mesmo destrutivo, geralmente falando, o kami é benigno. Seu papel é de sustentar e proteger.
A devoção no Xintoísmo é utilizada para expressar gratidão aos deuses e para assegurar a continuidade da graça. A devoção pode tomar a forma de um dos grandes festivais que ocorrem em dias determinados durante o ano, no sentido de celebrar a plantação da primavera, a colheita do outono e outras ocasiões especiais na história de um santuário. No entanto, estes festivais podem ser praticados em casa, de forma particular e bem mais discreta, ou no santuário do bairro. Embora um festival pode durar vários dias, diferentes contrastes de comportamento dos praticantes, onde uns são mais solenes outros mais fervorosos ou até mesmo barulhentos, os rituais podem durar apenas alguns instantes para serem completados. Mesmo observando estes contrastes, todos os tipos de devoção no Xintoísmo possuem em comum três elementos essenciais. Todos começam com o importante ato de purificação, o qual é comum a utilização de água. Em todos existem também os atos de oferendas aos kami, através de dinheiro ou comida. E, finalmente, em todos é feito uma prece ou um pedido. Podemos notar que a devoção no Xintoísmo é geralmente praticada em um santuário. Estas estruturas, as quais são feitas de elementos naturais e localizadas em pontos escolhidos por seus abades para a localização do kami ao invés de construírem um local fechado para o abrigo dos fiéis (como uma igreja, por exemplo).
Levando-se em conta que o Xintoísmo não possui escrituras, dogmas e credos, a devoção sempre foi o ponto central desta religião. Ao invés de sermões ou estudos, tem sido através de seus festivais e rituais, assim como a característica física do próprio santuário, que o Xintoísmo vem transmitindo suas características e valores característicos. O valor de maior destaque entre todos está o senso de gratidão e respeito pela vida, uma profunda apreciação da beleza e da força da natureza, um amor à pureza e, por conseguinte, a limpeza e a preferência pela falta de adornos e simplicidade na área estética.

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