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PALESTRAS

Realizo Palestras Fechadas tendo como principal tema as Sociedades Secretas.

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Noite de Autógrafos

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Revelações

REVELAÇÕES



Em quase todas as construções monumentais antigas se encontra a marca da fraternidade secreta, de seu simbolismo, bem como também de suas aspirações religiosas, que eram opostas às do clero, cada dia mais corrompido de costumes e do que em muitos pontos diferiam essencialmente da doutrina ortodoxa da Igreja.

Assim se vê na igreja de São Sebaldo em Nuremberg, uma sepultura na que se representam um monge e uma religiosa em atitude inconveniente. Em Estrasburgo, na galeria superior da catedral, via-se um porco e um carneiro levando, como uma relíquia, uma raposa dormindo; seguia a estes uma cachorra e precediam ao cortejo um urso e um lobo, levando aquele uma cruz e este um círio acendido. No altar um asno celebrava a missa.

Na cúpula de Würzbourg se encontram as famosas colunas J. e B. que tinham colocado no pórtico do templo de Salomão. Na igreja de Doberan, no Mecklembour se encontram vários duplos triângulos colocados em lugares significativos e sobre as colunas três folhas de parra atadas em forma maçônica.

Também se vê um retábulo bem conservado, que denuncia as opiniões religiosas do mestre construtor: no primeiro termo três sacerdotes dão voltas a um moinho em que se trabalha o ensino dogmático: sobre estes personagens está a Santa Virgem e o menino Jesus que apresenta sobre seu peito uma estrela luminosa, e embaixo a representação da Santa cena, à que assistem os apóstolos em atitude bem conhecida pelos franco-maçons, etc., etc.

Em outra igreja gótica se vê uma representação irônica da aparição do Espírito Santo. Na de Brandebourg uma raposa revestida com os ornamentos sacerdotais, prega a uma manada de gansos. Na catedral de Berna se representa o Juízo final e entre as mulheres figura um papa, etc. etc.

As corporações de obreiros construtores existiam numa época em que se achavam mais florescentes o ensino ortodoxo da Igreja e suas instituições e em do que o papado vivia sua idade de ouro; mas em que ao próprio tempo, tinha-se que lutar energicamente contra a onda crescente de luzes que se espalhavam por todos os lados e contra um número imenso de seitas heréticas, gnóstico-maniqueas, nascidas em parte antes do cristianismo (os cátaros, os albigenses, os valdenses); numa época em que os adeptos destas seitas e seus filiados percorriam a Europa inteira, fundando outras novas e convertendo a suas crenças, não só aos nobres, aos homens livres, aos cidadãos e aos mercadores, senão que também às freiras, aos abades e aos bispos; numa época em que a razão se preparava em silêncio a sacudir o jugo opressor, e a descobrir no meio das trevas gerais, a luz da verdade.

Nem as excomunhões, nem os entreditos, nem as fogueiras puderam deter ou reprimir a evolução intelectual do gênero humano.

Os canteiros alemães não podiam naturalmente manter-se estranhos a este movimento reformador, e é indubitável que muitos tomaram parte ativa nele: este fato está sobradamente provado na natureza dos assuntos que vemos representados em algumas de suas obras, das que citamos as principais.

Sua profissão lhes punha em contato com todas as classes da sociedade, deixava-lhes conhecer o sistema da Igreja e lhes fazia testemunhas da degeneração do clero; também por sua mesma profissão, encontrava-se colocados a maior nível do que a maioria de suas concidadãos e suas viagens durante o tempo que eram parceiros, nos que percorriam, não só a Europa, senão as vezes os povos mais longínquos do Oriente, familiarizavam-nos também com diferentes opiniões religiosas e com a interpretação mais pura do cristianismo.

Em todo caso, aprendiam a prática da tolerância, de maneira que as lojas eram um asilo seguro para os Livres Pensadores e para os perseguidos pelo fanatismo clerical. Os membros das corporações os acolhiam a todos, a condição de que fossem bons virtuosos e hábeis no exercício de sua profissão, e os extraíam às pesquisas da Santa Inquisição, o que lhes era tanto mais fácil, quanto que nenhuma classe da sociedade, nenhum estado podia iludir os serviços dos maçons funcionários, circunstância que lhes fazia menos suspeitos à Igreja.

Fonte: Maçonaria – Dos Canteiros aos Templos

As Cerimônias de Recepção


AS CERIMÔNIAS DE RECEPÇÃO E O SIMBOLISMO DOS CANTEROS ALEMÃES


Os pedreiros alemães e os obreiros de pedra livres (Freistein Maurer) ingleses, não estavam constituídos tão só em guildos ou grêmios dos ofícios, e como tais em corpos públicos reconhecidos pelo Estado, com direitos políticos, senão também em confrarias livres que possuíam a doutrina secreta da arte. Os usos dos maçons alemães em todas suas relações, sobre todos os usos dos canteiros alemães, dos maçons, dos carpinteiros se encontram reunidos e comentados na obra de M. F. A. Fallou, titulada: Os Mistérios dos franco-maçons. Estes usos se referem à recepção na sociedade, ao direito da Loja, aos exames e ao exercício da hospitalidade.

O companheiro que ao terminar sua aprendizagem pedia o rendimento na confraria devia apresentar, do mesmo modo que ao rendimento nos guildos, a prova da honradez e da legitimidade de seu nascimento (certos estados se consideravam desonrosos, e nem os que os exerciam, nem seus filhos, podiam ingressar num guildo). Deviam, ademais, gozar de boa reputação.

Os principais estatutos prescreviam como condição expressa de admissão, ter nascido livre, ter uma reputação sem tacha e boas disposições físicas e morais.

O novo membro recebia desde depois um sinal que devia reproduzir em todas suas obras: era sua marca de honra. O irmão que lhe tinha proposto se encarregava desde então de sua direção especial. O dia assinalado o aspirante se apresentava no lugar da reunião do corpo do ofício, onde o mestre da loja tinha feito preparar convenientemente o salão, dedicado especialmente a este objeto: entravam todos os confrades (desarmados, porque este lugar estava consagrado à paz e à concórdia) e o mestre abria a sessão. Começava por participar aos ali reunidos que tinham sido convocados para assistir à recepção de um candidato e encarregava a um de seus membros que fosse a preparado.

Este convidava então ao companheiro a adotar, seguindo o antigo costume dos pagãos, o aspecto de um mendigo: se lhe despojava de suas armas e de todos os objetos metálicos que levava; se lhe despia em parte, e com os olhos vendados, o peito e o pé esquerdo nu se lhe conduzia à porta do salão, que se abria depois de ter chamado com três golpes fortes.

O segundo presidente o guiava até o mestre, que lhe para ajoelhar, enquanto se elevava uma prece ao Altíssimo.

Terminada esta cerimônia, fazia-se dar ao candidato três voltas ao redor do salão e se lhe colocava na porta, onde lhe ensinavam a pôr os pés em esquadro, e adiantar em três passos até o lugar do mestre.

Adiante do mestre se encontrava uma mesa, na que estava colocado o livro dos Evangelhos aberto e o esquadro e o compasso, sobre os quais, segundo o antigo costume, o candidato estendia a mão direita para jurar fidelidade às leis da confraria, aceitar todas as obrigações e guardar o mais absoluto segredo sobre o que sabia e o que pudesse aprender daqui por diante.

Prestado o juramento, se lhe descobriam os olhos, se lhe mostrava a tripla grande luz, se lhe dava uma instrução nova e a palavra de passagem e se lhe assinalava o lugar que devia ocupar na sala da corporação.

A saudação e o toque os recebiam no curso de sua admissão entre os companheiros. O toque era o mesmo que hoje empregam os aprendizes franco-maçons.

Quando um companheiro pedreiro entrava por vez primeira numa loja estrangeira, chamava à porta com três golpes e se adiantava para o mestre ou o que ocupava seu lugar, que o recebia pelos três passos dos franco-maçons.

Os companheiros colocavam os pés em esquadro.

Em fim, o mestre perguntava se algum companheiro tinha que submeter algum assunto à reunião e fechava a sessão pelos três golpes de costume.

Durante os banquetes, que se celebravam depois da recepção e que sempre começavam e concluía com uma prece, o aspirante brindava pelos mestres com o copo da confraria (as boas vindas), repetindo o brinde à prosperidade da ordem. Então, como agora, e em todos os guildos, bebia-se em três movimentos; pegava-se o copo com a mão coberta com o lenço, levantava-se a tampa, e se levava à boca: depois se esvaziava o conteúdo em três vezes, e finalmente se colocava de novo em três movimentos sobre a mesa.

Tais eram, em resumo, os usos adotados para as recepções entre os canteiros alemães. As pessoas que queiram obter maiores detalhes sobre este assunto, podem conferir as obras de Fallou e de Winzer.



Fonte: Maçonaria – Dos Canteiros aos Templos

Os Canteiros da Alemanha


OS CANTEIROS DA ALEMANHA


Se a conformidade que resulta entre o organismo social, os usos e os ensinos da Franco-maçonaria e os das companhias de maçons da Idade Média indicam já a existência de relações históricas entre estas diversas instituições, os resultados das investigações feitas nos arcanos da história e o concurso de uma multidão de circunstâncias irrecusáveis estabelecem de um modo positivo que a Sociedade dos Franco-maçons desce direta e imediatamente destas companhias de maçons da Idade Média.

A história da Franco-maçonaria e da Sociedade dos Maçons está por isto mesmo intimamente unida à das companhias de maçons e à história da arte de construir na Idade Média; é, pois, indispensável dirigir uma rápida olhadela sobre esta história para chegar à que nos ocupa.

Nossos antepassados, aqueles germanos incultos, habitaram durante longo tempo em miseráveis choupanas que eles mesmos construíam; e até suas igrejas eram em seu princípio construção de madeira. Os monges e os imperadores parecem que foram os introdutores em Alemanha do modo de construir dos romanos; eles não tiveram um estilo que lhes fosse próprio. Rodeados de produtos da civilização romana, limitaram-se a aceitar e a imitar singelamente as criações que se lhes ofereciam. Os ostrogodos foram os primeiros que, na medida de sua inteligência, tentaram com algum resultado implantar no solo italiano suas antigas maneiras de viver e tentaram conservar às artes o selo particular que sua raça lhes tinha impresso. Sob o reinado de Teodorico se deu um vivo impulso aos trabalhos de construção. No entanto, em todos os edifícios antigos se encontra a influência romana, e só com o desenvolvimento e a extensão da civilização, a arte de construir faz progressos reais.

O primeiro movimento vital do espírito germânico se manifesta sob o reinado de Carlos Magno; mas até depois da queda do império carlovingio e sua divisão em grupos nacionais, até que o cristianismo que se estendeu algum tanto e adquiriu maior importância, até que se conferiu o espírito germânico e se introduziu nos costumes e no Estado formas mais adequadas à nova ordem de coisas, não puderam as artes adquirir uma fisionomia própria e bem determinada.

No que se refere ao desenvolvimento da vida pública, o regime feudal, restabelecido sobre considerações próprias da Idade Média e emanado do individualismo do espírito germânico, merece estudar-se especialmente. “A unidade dos povos desaparece, diz Schaase, e em seu lugar se produzem muitas individualidades. A eventualidade substitui, na conclusão dos tratados, a consideração das necessidades interiores, e o Estado se eleva como edifício aéreo, formado em sua base por grande número de vassalos inferiores, elevando-se por graus sucessivos, até uma alma unitária”.

Este sistema complicado se encontra em todas as produções da arte na Idade Média, e principalmente nas criações arquitetônicas.

Fonte: Maçonaria – Dos Canteiros aos Templos